Haja flexibilidade!

Haja flexibilidade! 1Aqui na universidade é assim: muitos, muitos, muitos chineses e alguns estrangeiros. Apesar de sermos somente “alguns”, há mais de 2 mil pessoas de todos os cantos (e mais de 30 mil chineses!) No imenso dormitório de estrangeiros há nove prédios com muitos andares e pelo menos vinte quartos por andar (nunca contei, mas deve ser uns 20). É natural pegar elevador com um estrangeiro e perguntar de onde ele é, o que estuda e quanto tempo vai ficar por aqui. Na cantina da universidade, é só procurar um rosto ocidental na multidão de olhos orientais, pedir licença e começar a conversar. Nos cafés espalhados pelo campus é a mesma coisa.

No meu wechat (o whatsapp chinês) há grupo de latino-americanos. Grupo de brasileiros em Beijing. Grupo de brasileiros das três principais universidades de Beijing. Grupo de brasileiros da minha universidade. Grupo dos brasileiros que moram no dormitório. Grupo dos brasileiros legais que moram no dormitório. Grupo de pessoas que gostam de dançar. Um mundo fantástico, incrível, diversificado, né? Sim. Aprendo mais com as pessoas que conheço no elevador e com as conversas que tenho nos cafés do que em sala de aula. Agora, o problema é que haja flexibilidade para lidar com todas essas pessoas diferentes! Como é que o pessoal da Holanda divide a conta? E os amigos mexicanos? Na Etiópia é diferente… A menina da Geórgia se ofendeu quando eu ofereci um café. E a japonesa achou que eu deveria pagar por ser mais velha. O moço português se ofereceu para pagar para mim quando viu que eu estava atrasada para a aula (e não aceitou o dinheiro de volta de jeito nenhum).

E os canadenses… tão educados, eu pensava. Mais ou menos… Tem gente muito estranha naquele país. Chile é próximo do Brasil e a cultura deve ser parecida, não é mesmo? Até parece. Às vezes acho que os coreanos são mais parecidos com os brasileiros do que o pessoal que fica perto do Brasil. Com o colega de Porto Rico é normal atrasar uns 10 minutos. Não tem problema atrasar 30 min com a amiga italiana. Agora, experimente atrasar um minuto com a amiga da Noruega. Vai ficar vendo cara feia a noite inteira. Devo cumprimentar os ingleses com beijinho no rosto? E os gregos? Um, dois ou três? A Rússia, que tem fama de ter pessoas bravas, me apresentou duas das mulheres mais incríveis que já conheci na vida. Os romenos sofrem imenso preconceito na Europa, mas são muito educados e inteligentes. Os moços do Líbano e do Sudão do Sul que moram no meu andar estão sempre estudando com a porta aberta e prontos para uma conversa rápida. A menina das Maldivas que mora no meu prédio usa véu muçulmano. E da dos Emirados Árabes, não.

Haja flexibilidade para lidar com gente tão diferente!

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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