Fogueira do coração

Era uma fogueira grande, a mais linda das dezenas montadas na rua num dos dias mais esperados do ano: o Dia de São João.

Antes mesmo da brasa começar a aparecer lá no fundinho do fogaréu, estávamos todos lá, com o milho cru enfiado em um palito de churrasco curto, quase a queimar nossas mãos. As meninas com os foguinhos de estrelinhas e os meninos com as famosas bombas “peido de véia” engatilhadas para serem acesas e estouradas.

sao joao

Sem contar as mais deliciosas guloseimas derivadas do autêntico milho nordestino, postas na mesa forrada com a toalha mais bonita de casa. Era pamonha, canjica, mungunzá, pé-de-moleque, bolo de milho e pipoca a perder de vista.

Cada casa com seu forró, um mais animado que outro, tocantes como as estrelas mais brilhantes do céu que iluminam a noite de São João quando a típica chuva deste dia não insiste cair. E o olhos, marejados com a fumaceira das fogueiras, refletem a saudade de um tempo difícil de passar, mas fácil de permanecer aquecido dentro da fogueira dos nossos corações.

Dani Almeida

Sobre Dani Almeida

Para viver preciso acreditar nos sentimentos mais profundos que a alma humana pode oferecer. O infinito para mim é bastante atraente e o "meio termo" praticamente não existe. Tenho uma alma intensa, carismática, dramática. E é com toda essa intensidade que procuro dar o meu melhor como mãe, esposa, filha, irmã, amiga, jornalista, poetisa!

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