Filme “Nise” merece palmas

Filme “Nise” merece palmas 1Assisti recentemente a “Nise”, um belíssimo filme brasileiro estrelado por Glória Pires, passado em 1940. A película conta a história de Nise, uma médica que vai trabalhar em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro depois de vários anos afastada de sua profissão.

A primeira cena do filme mostra a insistência e a força da médica, que bate sem parar no portão para conseguir entrar no local que iria trabalhar. Essa cena logo no começo nos causa desconforto e nos dá ideia do que está por vir: a história real de uma mulher que não desistirá facilmente. Depois de conseguir entrar no hospital psiquiátrico, dra. Nise participa de uma reunião com seus colegas médicos, todos homens, em que cada um mostra os avanços de técnicas para tratar esquizofrenia. Um médico conta sobre a lobotomia, uma cirurgia que retira uma parte do cérebro com um cortador de gelo (sim!). Outro mostra como tratar com eletrochoques um paciente em crise (cenas fortes e horríveis). Ainda bem que na reunião estava dra. Nise, uma médica humana que propõe tratamento diferente para doentes mentais.

Ela enfrenta a descrença e o preconceito de seus colegas e é mandada para a área de terapia ocupacional do estabelecimento. Junto com um artista plástico, começa a oferecer material de pintura para pacientes agressivos que não conseguiam se comunicar. É claro que há muitas e muitas dificuldades, mas como vimos logo no início, a médica é insistente. Os pacientes, aos poucos, começam a aceitar a ideia de usar tinta e pincel e o resultado é surpreendente. Homens e mulheres que viviam em um mundo aparte conseguem, por meio da pintura, mostrar seu inconsciente, seu interior, sua arte. A terapia proposta por dra. Nise funciona melhor do que se pensava e chama atenção de um conceituado crítico de arte. Os trabalhos são expostos dando dignidade e chamando atenção para essa população rejeitada por suas famílias e pela sociedade.

Um filme sensível, belo e inspirador. Tão bonito que o público bateu palmas! Merecido!

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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