Eu queria ser pai

Eu queria ser pai 1Estou naquela idade em que as pessoas (mesmo as legais) perguntam: “E aí, você pretende ser mãe?” e eu sempre penso: “Eu gostaria mesmo é de ser pai”.

Outro dia li o emocionante relato (desabafo) de uma jovem divorciada que dizia estar cansada de ser mãe. Ela era responsável pelo filho todos os dias do mês, exceto os dois finais de semana em que ele deveria ficar com o pai. Não encontrei o texto para colocar aqui, mas lembro que ela dizia estar cansada de arrumar o filho e deixá-lo pronto no horário combinado e o pai aparecer no horário em que quisesse. Que ela estava cansada da tripla jornada de mãe, trabalhadora e provedora principal da criança. Que estava exausta de levar e buscar o filho na escola, fazer tarefa com ele, limpar a casa, preparar comida, trabalhar em período integral sem ter nenhum suporte emocional e sem dividir tarefas.

Quer coisa melhor do que ser pai dois finais de semana por mês? Pegar as crianças limpinhas, alimentadas, com a tarefa feita e só aproveitar o melhor? Isso é o que eu queria: ser pai e só ter o melhor. Pode parecer egoísmo (e é mesmo), mas é isso que a maioria dos homens faz. Aproveitam só o melhor e dão uma pensãozinha, que muitas vezes não cobre nem o mínimo.

Eu entendo que muitos homens trabalham e a responsabilidade pelos filhos pequenos acaba ficando quase completamente com a mãe, mas ter um homem presente diariamente (mesmo que cansado depois do dia inteiro fora) é completamente diferente do que aquele de final de semana. Pai é o que participa, dá exemplo, está presente, cria. Aquele pai que não acompanha o crescimento, que nunca viu uma lição de casa, que nunca foi em uma atividade escolar é mesmo pai? Aquele pai que aparece quando tiver vontade pode ser chamado assim? Aquele homem que é pai só quando é conveniente. Quer coisa melhor (e mais injusta)?

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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