Eu acredito!

Sim, em milagres que acontecem e estão a acontecer a todos os instantes. Talvez muita gente não acredite, porque espera grandes feitos, grandes resultados e esquece que vivemos de pequenas coisas: o ar que respiramos, a noite de sono, o alimento que nos reforça, nossa família, abrigo, amigos, pequenas conquistas, superações cotidianas, o simples ato de uma leitura, o prazer de uma risada, as lágrimas que podem cobrir nossos rostos, o transitar sem ser atropelado, ou apenas um relacionamento harmonioso. É óbvio que os grandes milagres – como mega, como extraordinário, são coisas que marcam – nos tiram suspiros, nos deixam perplexos – como, por exemplo, sair ileso de um acidente absurdo, ser atropelado por um trem e ficar com pequenas escoriações, passar por cirurgias absurdas e ficar tudo bem, ou horas submer so e sobreviver a um naufrágio, despencar do céu e “cair de pé”, talvez, um prêmio milionário, o seu time ser campeão ao final dos 90 minutos quando já não havia a menor chance ou, até mesmo, um casamento com a realeza.

Uma certa vez li que quando colocamos o relógio para nos despertar no dia seguinte revelamos o grau de esperança que temos, pois nada pode garantir que acordaremos  de manhã. E mesmo assim fazemos o registro e vamos dormir tranquilos com uma segurança enorme que o amanhã virá – o que de fato, nem sempre é verdade. Eu chamo isso de milagre.

Toda essa sucessão de coisas boas se revelam todos os dias, mas até entendo que tem horas que precisamos de mais. Já me ocorreu em situações limites, muitas vezes, simplesmente fazer uma oração e toda a sorte de acontecimentos mudar drasticamente. A fé é mesmo infinita. Será sorte ou milagre? E isso se repete com todo ser humano. Já ocorreu que no desespero, uma sentença ou diagnóstico médico grave pôde ter sido superado, quando ninguém mais apostara na cura. Já vi viradas de vida no último segundo da prorrogação. E como no futebol, vi a história do jogo ser outra depois de um passe para a esquerda e não pela direita ou pelo centro. Sorte ou milagre?

Bom, tem gente que diria que isso é sorte. Mas pra mim, essa não é uma questão semântica. Mas uma questão de visão de mundo, de fé que tudo de melhor pode acontecer quando a gente não mais espera. No dicionário, qualquer um chegaria à conclusão que a semelhança na definição entre as duas palavras encobre diferenças homéricas, apesar da imensa aproximação. Vejam só a definição de sorte. A sorte é “uma força sem propósito, imprevisível e incontrolável, que modela eventos de forma favorável ou não para determinado indivíduo, grupo ou causa”. Ou para alguns, um evento ou série de eventos, aparentemente fora de nosso controle, que influencia(m) nossas vidas.

Já a palavra milagre, que vem do latim miraculum, do verbo mirare, “maravilhar-se” é um acontecimento dito extraordinário que, à luz dos sentidos e conhecimentos até então disponíveis, não possui explicação científica, sugere-se uma violação das leis naturais que regem toda a natureza.

Na contemporaneidade quase não há espaço para algo que não seja científico. Tudo parece ser explicável, com método e comprovação. Entretanto, sabemos que a ciência tem seus limites. E aí que sobra espaço para muito milagre. Se pensarmos que as leis da natureza são na maioria científicas, então, o amanhecer, o respirar, a natureza são todos justificáveis e explicados metodologicamente.Mas porque não garantir o mágico e o maravilhoso da vida, dando conotação de milagre, de maravilhoso, em cada evento? Faço esse convite a todos.

Como já é Natal, que o milagre da vida se repita na vida de cada leitor. Feliz Natal a todos!

Denise, a transbordante

Sobre Denise, a transbordante

Transbordo em choros e risos, raiva e paciência, novidades e mesmices. Por pouco posso me indignar, como também explode em mim alegrias inesperadas por quase nada. Sou soma – de mim, dos outros, do mundo, do meu tempo. Às vezes, divisão; mas busco a multiplicação daquilo que acredito para que a essência não seja subtraída. Quero transbordar neste espaço com vocês, às quintas. Sou jornalista.

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