E se um dia… você tivesse poderes

Tá bom, você acorda e se descobre toda-poderosa. Calma, mulheres,  não estou falando de banho de lojas, de make up, plastificação dos pés à cabeça, nem sapatos novos para a estação toda, ou uma semana num SPA e o sonho do corpo perfeito realizado, um dia de relax num hotel cinco estrelas; ou quem sabe uma semana de férias do trabalho, da casa, do marido, dos filhos, nem de emprego novo – ainda que isso possa ser o máximo. Eu estou apostando e pensando em algo grande mesmo. Devaneios do ócio, talvez. Poderes que podem promover macromudanças, mexer com o planeta, com populações de todas as partes, coisas que te dariam prêmios Nobel – se bem que, com toda a importância da honraria, ser laureado não garante lá aquela po pularidade. Eis a diferença da popularidade e da notoriedade. Alguém popular, o mundo conhece. Alguém notório, a gente demora pra citar e quando cita, logo perguntam: quem é mesmo? Acho que já ouvi falar…

Mas voltemos aos poderes, aquela força de mexer os pauzinhos e tudo resolver; ou quem sabe o toque de uma vara mágica, ou um simples: faça-se a  minha vontade. Eu pergunto à quem lê isso agora: e se um dia você tivesse poderes para fazer o que quisesse, viver um dia de deus, de super-herói, de cientista genial, da principal autoridade do planeta – o que você decretaria no seu mandato? E se soubesse que esse mandato seria curto, talvez durasse um dia ou dois, quais seriam suas prioridades? Será que daria para fazer muito? Será mesmo que você faria a diferença  para o mundo?

Sei que tem muita gente que responderia “vou acabar com a fome ou com a violência, pôr fim às guerras, descobrir a cura para todas as doenças, não permitir diferenças ou injustiças, extinguir a corrupção, criaria um mundo sem misérias, quem sabe garantiria o sonho de todo ser humano à imortalidade” – mas será mesmo?

Tem gente que, sem pudor, já assumiria vou viver meu dia de sonhos e dar bananas ao mundo. Não dá para fingir que essa parcela não existe, ela é numerosa.

O poder é tão sedutor, que impede que acreditemos naqueles que ainda não o acessaram. Há quem diga que ele é como droga e exige sempre doses maiores e todos sabemos que quanto maior o poder, maior é o perigo.

Ao primeiro contato, acontece o contágio; e, então, tudo passa a ser previsível: ostentação e esbanjamento, vaidade, baixo senso de alteridade, uma necessidade de autocompensação com tudo  e uma necessidade de autopromoção infinita.  Acho tão engraçado quando perguntam: e se você ganhasse na loteria, a maioria afirmaria vou ajudar muita gente, mas ao descobrir a premiação ninguém quer ser lembrado.  E no máximo ajudará os mais próximos da sua família.

Chego à conclusão que o melhor para o mundo é minimizar o poder, compartilhá-lo, torná-lo transitório; só desta forma, os benefícios poderão ser socializados e atenderão a maioria.

Agora, eu gostaria de radicalizar no questionamento inicial. E se com seus poderes, você só tivesse direito a um ato para transformar o mundo. O que você faria?  Ah, como vivemos de muito mais perguntas que respostas. Alguém se prontifica a essa?

Denise, a transbordante

Sobre Denise, a transbordante

Transbordo em choros e risos, raiva e paciência, novidades e mesmices. Por pouco posso me indignar, como também explode em mim alegrias inesperadas por quase nada. Sou soma – de mim, dos outros, do mundo, do meu tempo. Às vezes, divisão; mas busco a multiplicação daquilo que acredito para que a essência não seja subtraída. Quero transbordar neste espaço com vocês, às quintas. Sou jornalista.

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