Devora-me

Hoje, dar-te-ei a mim mesma. Mas, não ei de dar-te tudo. Dar-te-ei o meu rascunho. E tu, versado em várias línguas, faze-me o favor, de ler-me em braile. Decifre os caracteres. Mamilos, umbigo, clitóris.

Vem. Chega mais perto. Deixa-me sentir teus toques. Quero me perder, nas urgências das minhas vontades. Depois, ei de me achar entre os teus dedos. Vem e desafia os meus pudores, excita minhas entranhas com tua língua febril.

Adulta, agora engatinho, enquanto seguras firme minhas ancas, golpeando-me pelas laterais. Meus cabelos são tuas rédeas, usa-as. Faze-me arder e ardendo me ofereço, abro-me e me entrego.

A tua anatomia tem o leiaute perfeito. Teso, destemido e apetecível! Então, eu quero o falo, logo me calo. Ou bem quero o falo, ou falo. Tua língua percorre a cona e a minha, o falo. Simultaneamente. E assim permanecemos. Teus lábios beijam os meus, os grandes e pequenos. Os meus? Esses exercem loucuras, percorrendo pequenas distâncias em ‘glande’ estilo. Um beijo e nossos sabores são compartilhados. Gosto do meu gosto em tua boca, é afrodisíaco para mim.

Excepcionalmente enlouquecida, uivando como um animal selvagem, no cio, te desejo com todo o ardor de uma fêmea fecunda. Sou tua presa, nessa alcova libertina. Afia o corte e enfia tuas garras. Agride-me, invade-me e me domina. Meço-te em palmos e aplaudo tuas medidas. Direciono-te. Carnes trêmulas, respiração ofegante. O cerne está entre as pernas, as minhas pernas.

Também se cavalga na madrugada. Na paisagem, vislumbra-se o Monte de Vênus, entre olhares lânguidos e mãos que apalpam com paixão. Movimentos frenéticos, contínuos, embalados pelos gemidos e sussurros, intercalados pelos gritos de prazer e palavras obscenas. Corpos ávidos e ardentes, numa intensa cavalgadura. Subo, desço. Subo, paro e desço devagarzinho. Como, comes e assim nos degustamos.

Decodifica meus sinais, se não podes decifrar-me, ao menos me devore.

Cristiane, a progesterônica

Sobre Cristiane, a progesterônica

Minha voz ecoa entre as pernas, advinda dos grandes e pequenos lábios. Na condição de fêmea, experimentando o cio, incitando vontades e provocando ardores. Ávida, me fecundo. Chego úmida e sedenta. Sem amarras, eu chego às terças.

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