Desculpe-me por ser mulher

Desculpe-me por ser mulher 1Uns dois meses atrás, o porteiro do instituto onde eu estudo fez um comentário sexual totalmente inapropriado sobre o meu corpo (e existe comentário sexual apropriado? Tudo é assédio). Eu respondi que ele não poderia falar assim comigo, que era um absurdo ele dizer uma coisa daquelas. Ele riu e achou graça eu ter respondido. Não bastando isso, por “retaliação” de eu “reclamado”, ele escondeu a minha bicicleta.

Levei o caso para a coordenação do curso. Fui ao escritório, a coordenadora ouviu tudo que eu falei e tentou minimizar o caso: “Ah, mas isso não é nada demais. Você está exagerando… Relaxa…”, disse dando tapinhas no meu ombro. Eu disse que se aquela situação tivesse acontecido no Brasil, o funcionário seria afastado e até poderia ser mandado embora. Ela foi comigo até a portaria e, depois de alguma resistência, ele devolveu minha bike. O caso ficou por isso mesmo. O porteiro continua lá, eu não o cumprimento mais, e nada foi feito.

Esta semana meu orientador ficou sabendo do ocorrido. Levei uma bronca homérica. “Onde já se viu levar esse caso para a coordenação?!?!”; “Você deve ter entendido errado o que o porteiro falou”. É, claro. Eu devo ter entendido errado. “Sim, professor. Eu devo ter entendido errado”. Talvez eu até o tenha provocado, né. Entrando e dando “bom dia”. Eu dei liberdade. Sim, a culpa é minha. Não importa se no Brasil ou na China. A culpa é toda minha. Desculpe-me por ser mulher.

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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