Desça do muro, se quiser

Eu ia te dizer para descer do muro de uma vez. Ia te falar: menina, vá! Enfrente! Tome uma decisão. Para o sim ou para o não. Depois, parei e pensei: mas e se ela não quiser? E se tudo o que ela quer agora é ficar quietinha onde está? Para que sair do muro? Para que, me diz? Foi então que parei e pensei: menina, se você quiser, desça do muro. Não posso te mandar descer, quem sou eu para te aconselhar? Mas uma coisa eu posso dizer.. ah, isso com certeza… descer do muro, assim que você quiser, pode ser muito legal.

Quantos anos a gente passa em cima desses muros? Também tenho os meus. De alguns eu desci, de outros me desceram. O que posso dizer, assim, de mim, é que me alivia quando estou de algum lado. Quando tomo uma decisão baseada no que eu sinto lá no fundo, de verdade. E de quantos muros é feita nossa vida!Desça do muro, se quiser 1

Quando o muro é baixinho, o treino é um bom começo. Respire fundo, pense no que você gostaria de fazer. Pense no que depende de você. Tem sim, muros altos demais para nos jogarmos de cima para algum lado. Mas tem alguns tão simples, tão baixinhos, e a gente se acostuma a não tomar uma posição por nós mesmos. Às vezes é legal descer. Às vezes, inclusive, pode ser ótimo. Mesmo que, ao colocarmos o pé no chão, vejamos que o terreno tem umas pedrinhas chatas. Chute a pedrinha e continue. Sabe por quê? Porque em um monte desses murinhos que você desce, tem muita coisa boa. Tem portas escondidas lá embaixo. Enquanto você não desce, você não enxerga. Quando enfrenta o chão, elas começam a se abrir.

Desceu e não era nada do que queria? Que alívio, que tempo economizado. Você deve ter experiências em que disse a si mesma: pronto, resolvido, pelo menos agora eu sei como é. Em alguns desses muros pequeninos, esses dos quais podemos descer sem tanto sacrifício, estão simples convites, cursos, pequenos sonhos que deixamos para avaliar depois. Ficamos ali, em cima do muro, pensando em todas as consequências reais e fantasiosas para nossa simples resposta: sim ou não.

O que nos mata por dentro é paralização, a resposta contraditória ao nosso sentimento, nossa vontade. Isso não é descer do muro. É ficar lá segundo a vontade de alguém. Se for algo sério, tudo bem nos sentirmos inseguros. Se for algo simples, por que não tentar?
Às vezes uma oportunidade para a qual você fala ‘sim’ e enfrenta abre portas para tanta coisa e pessoas que você nem imagina. Às vezes situações para as quais você fala ‘não’ te deixam leve e livre. O que importa é o posicionamento frente a sua verdade.

Por que somos tão cheios de talvez, de pose, de aparências… de medos, saudades e preocupações? Às vezes é tão simples e a gente complica tanto! Quantas vezes queremos muito aceitar um convite, mas por medo, fugimos? Quantas vezes queremos dizer ‘não’, mas alguma coisa que nem sabemos qual é nos faz concordar com algo apenas para não termos que nos posicionar?

Se seu coração manda ir, vai. Vai tremendo, vai gaguejando, vai fazendo papel ridículo, mas vai. Se sua intuição diz que ‘não’, não tente se convencer a fazer algo que não quer. É perda de tempo e um desgaste enorme. Mas decida, se quiser, se puder. Pois todos os seus ‘não’ ou ‘sim’, quando vem de dentro, te deixam em tamanha paz… e isso não tem preço.

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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