Defesa pessoal contra golpe baixo

Disseram: “Comprei um presente para você. É aquilo que você queria muito. Mas só te dou se… (inclua aqui uma barganha) ”. Resposta: “Então não quero”. Incontáveis vezes frases muito parecidas ecoam de vários interlocutores diferentes para a mesma pessoa, sempre com tal resposta. Toda vez que a frase “mas só te dou se…” entra em jogo, a resposta é sempre um sonoro “então não quero”. A fórmula para o que podemos chamar de defesa pessoal contra golpe baixo, chantagens e afins, é ensinada por nada menos que um rapazinho de 4 anos de idade, autor da resposta rápida.

Garoto esperto, compreensivo e muito querido. Só não se aproxime com golpes baixos, pois ele abre mão na hora do que quer que você esteja oferecendo. Ninguém consegue chantagear esse menino, que funciona muito melhor com conversas do que com barganhas. Agora, no mundo dos adultos, isso funciona de forma diferente. Claro que não cedemos a chantagens baratas, certo? Errado.

Muitas de nossas atitudes são baseadas em chantagens emocionais, dos outros e nossas, traduzidas em medos de perder, de não agradar, em aparências, em jogos sociais desnecessários. Mas não precisa ser assim.

Imagina a gente conseguir mudar isso. Mas como?

Bem, é claro que temos muitas obrigações e momentos em que temos que abrir mão por um bem maior. Mas estou falando daqueles em que você pode escolher, mas não escolhe por medo de perder. E assim cede a uma situação que você não queria, que vai contra o que você acredita. Faltou avaliar um detalhe: se vale a pena.Defesa pessoal contra golpe baixo 1

Tem coisas que não nos ferem e tudo bem ceder, nem tudo tem que ser do nosso jeito. Mas se gera um grande incômodo, se vai contra o que você acredita, é melhor pensar bem. E tem horas que teremos que abrir mão e deixar ir. Perder o que não compensa.

Golpes baixos são “inofensivos”

Quem nunca passou por situações como estas: “para que eu te dê isso você tem que fazer aquilo”, “para que eu goste de você, você tem que ser assim”, “todo mundo faz isso, menos você. Que chato/careta/infantil/esquisito”. Ou muitas vezes a chantagem não vem de fora, vem de nós mesmos: “se eu perder aquilo não vou conseguir nada melhor”, “preciso fazer isso, senão vou parecer tal coisa”, “eu deveria dizer isso agora para ter tal resultado”, “e se eu fizer/não fizer? ”. Nessas horas, pare e pense: você quer ou está agindo pelo medo?

Está te gerando um grande incômodo, te fazendo se sentir mal, você sente que não é o que quer fazer, mas que está agindo baseado no medo de perder? Precisa ficar analisando ou arrumando justificativas para a sua ação, ou então para a ação do outro, sente que precisa provar algo? Perguntas como estas podem te ajudar a decidir o que fazer.

A única pessoa que tem a resposta para a pergunta em cada situação é você. Mas parar de agir baseado no medo, em situações que você pode optar, te dá um poder incrível. O de justamente ver que você pode escolher e, se não valer a pena, declinar a ‘oferta’. Como adulto, o “então não quero” pode virar o velho e bom “não, obrigado”. E aí, topa?

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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