De Vênus para Vênus

Numa sexta feira do ano de 2016 a Vênus da Áustria resolve ter uma conversa de mulher para mulher com a Vênus da Grécia. Ela sugere que as duas se encontrem no Brasil, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro, uma vez que ambas tem conhecimento do que vem acontecendo com as mulheres deste pais.

É sabido por elas que a imagem da mulher sofreu muitas mutações no decorrer dos séculos. As mulheres de hoje são bem mais preocupadas com sua representatividade na sociedade, porém estão mais vulneráveis a injustiças e se sentem um pouco mais perdidas.

Sabe-se que as Vênus atuais são representadas por muitas modelos e atrizes em cartazes e fDe Vênus para Vênus 2otos digitalmente manipuladas.

– Vênus da Grécia quero conversar com você porque preciso entender o que foi que aconteceu. Quando foi que tudo mudou? Olhe pra mim: há milênios eu era a representação das mulheres. Minha vulva, meus seios e barriga são extremamente volumosos e reforça bem o conceito de fertilidade. Meus braços dobram-se sobre os seios e não têm uma face visível. Minha cabeça é coberta do que podem ser rolos de tranças, um tipo de penteado ou mesmo vários olhos. Na minha época, nós mulheres, tínhamos um elevado estatuto social numa sociedade caçadora-recolectora, éramos referência de fertilidade e símbolo de segurança, sucesso e bem-estar. Quanta diferença de você que anos depois veio carregada de outros conceitos de feminilidade impostos pelos gregos.

– Pois é Vênus da Áustria, comigo de fato se firmou uma outra imagem. Possivelmente minha época deve ter siso responsável por fazer evoluir conceitos propagados pelas Vênus atuais. Sou considerada a deusa do amor e da beleza. Uma deusa local do comércio. A partir daí, acho que me usaram para movimentar todo o dinheiro envolvendo produtos supérfluos para mulheres. Minha anatomia deve ter provocado toda essa eloquente busca pelo corpo perfeito. Desenharam-me com uma anatomia divinal por isso fui considerada pelos antigos gregos e romanos como a deusa do erotismo, da beleza e do amor. Mas, mesmo me dando o status de Deusa, meu olhar é vago. Na minha época cultuava-se o zanago dos olhos como ideal da beleza feminina. Eu até possuía um carro puxado por cisnes. E o pior de tudo na história que criaram, é ter sido colocada como esposa de Vulcano, o deus manco. Mas, eu mantinha mesmo era uma relação adúltera com Marte.

Obviamente esse encontro é puramente ilusório, mas serve para uma reflexão maior no que diz respeito ao empoderamento feminino. Na conversa entre as Vênus, foi possível entendermos um pouco sobre antigos valores femininos, cujo conceito de beleza feminino era totalmente diferente. Apesar dos avanços das questões de gênero em todo o mundo, o padrão machista firmado na sociedade atual é cruel. Ele nos persegue e nos oprime em várias circunstâncias, com flagrantes injustificáveis e repulsivos como o caso do estupro cometido por 30 homens a adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro. Representação digna e mais justa. É disto que precisamos e não vamos nos calar até conseguirmos!

{AGRADECIMENTO ESPECIAL À MINHA QUERIDA AMIGA DANIELA ALMEIDA, QUE EDITOU E TORNOU ESSA “VIAGEM” POSSIVELMENTE COMPREENSÍVEL}

Ana, a atrevida

Sobre Ana, a atrevida

Atrevo-me a me inspirar, atrevo-me a mergulhar profundamente em letras, espaços e pontos, símbolos conducentes, ícones de sentimentos (...) me atrevendo me formei em artes visuais, me atrevendo me dedico a profissão de editora de imagens já por quase vinte anos, me atrevendo pinto, bordo, costuro. Me atrevendo me casei. Me atrevendo viajei o mundo, me atrevendo escrevo às sextas e você me lê. Atrevida!

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