De que mudanças estamos falando

De que mudanças estamos falando 1Não raro escuto ou leio relatos de amigas, parentes e conhecidas que foram (e são) vítimas de diversos tipos de abusos e opressão. Mulheres que cuidam sozinhas de filhos; mulheres que sofrem assédio nas ruas e no trabalho; mulheres que apanham de maridos pelos motivos mais banais; mulheres que foram estupradas; mulheres que sofrem violência psicológica e moral dentro e fora de casa; mulheres que são constantemente desrespeitadas no mundo real e virtual pelo simples fato de serem mulheres. Mulheres.

Os acontecimentos infelizes da semana passada nos aproximaram e nos permitiram ver muito de nós na outra e na outra e na outra… Esse laço de empatia se fortificou e algo em nós cresceu: uma vontade tremenda de não deixar que ninguém nos machuque mais, física ou psicologicamente. Uma vontade de não ter mais medo.

Pois talvez seja este o sentimento que mais nos aprisiona em meio a tudo isso. O medo de sair de casa; o medo de não dar conta das tarefas acumuladas (enquanto ao marido é preservado o direito de descansar); o medo de não conseguir determinada vaga de trabalho; o medo de não ser ouvida por suas ideias não terem tanto valor para o outro; o medo de ser humilhada; o medo de ser violentada; o medo de dizer sim; o medo de dizer não. E esse medo vai nos acompanhar até quando?

Pois eu tenho medo de não ver mudanças significativas tão cedo. Será que esses homens que se mostraram empenhados em lutar pelo fim da cultura do estupro continuam a vasculhar os perfis das “novinhas” e a pedir “nudes” de muitas delas? Será que esses homens pararam de compartilhar fotos de meninas e mulheres nuas e seminuas em seus grupos de amigos? Será que esses homens já pararam de humilhar suas companheiras? Será que esses homens estão nos ouvindo e respeitando a nossa vez de falar? Será que esses homens pararam de nos assediar em todo e qualquer lugar? Será que esses homens, finalmente, pararam de nos violentar? Será que esses homens, que se dizem empenhados em lutar pela igualdade de gênero, estão dividindo as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos?

Pois é… É muito fácil mostrar-se empenhado em uma causa, mas não se mostrar de fato empenhado em lutar por ela…

Gabriela, a observadora

Sobre Gabriela, a observadora

Tenho um gosto particular pelos pequenos prazeres que a vida pode proporcionar. Um tanto quieta e observadora, sonho muito, critico muito e gosto de me desafiar. De tudo que vejo, penso e sinto: conto, crônica e o que mais der na telha.

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