Cordel: o estandarte do imaginário popular

Fruto da Europa, quando trovadores na Idade Média divulgavam velhas histórias nas praças, em textos memorizados e cantadas, as chamadas Folhas Soltas (cordel) se consolidaram na Península Ibérica. Narrativas de heroísmo, guerra, amor, viagens e conquistas marítimas, além de fatos do cotidiano, eram os temas preferidos do público. Trazidas para o Brasil no século XVII, na bagagem dos colonos portugueses e espanhóis, as histórias eram decoradas por quem sabia ler, transmitida de forma oral e transformada pela memória do povo. Enraizado no Nordeste, o cordel se difundiu principalmente como expressão para expor os problemas sociais e tornou-se o veículo difusor de informações, principalmente para as classes menos favorecidas. Como um jornal, o cordel assumiu a função de informar as pessoas fatos da região, façanhas de cangaceiros, casos de rapto de moças, crimes, estragos da seca, efeitos das cheias, entre outras temáticas. Outro elemento forte do cordel é sua oralidade que antigamente eram executadas pelos trovadores e hoje os cantadores, violeiros e recitadores se encarregam desta função.

Autores contemporâneos da área mostram que além da tradição, é preciso interesse da nova geração para dar seqüência aos movimentos populares. “Qualquer pessoa pode fazer um cordel, basta querer”, afirma o experiente cordelista Altair Leal. Segundo ele, em apenas algumas horas de aula, uma pessoa já pode criar sua primeira sextilha (estrofes compostas por seis linhas ritmadas). Altair trabalha a poesia como instrumento cultural e social, promovendo oficinas de cordel no Estado de Pernambuco. Ele percorre escolas públicas, bibliotecas e participa de diversos festivais, instruindo os interessados e estimulando o gosto pelo mergulho nessa expressão, que além de métrica e rima, tem como elemento forte a oralidade.

Para o professor de jornalismo da Universidade de Tiradentes, Alan Barreto que também é autor do trabalho “Comunicação Social e Resistência Cultural na Literatura de Cordel”, as temáticas desse gênero, procuram esmiuçar desde o sentido histórico até o papel do cordel como instrumento de resistência cultural. “Essa é uma arte que atravessa gerações e está inserida nas várias vertentes da cultura, como no teatro, artes plásticas e música”, explica.

O professor lembra ainda que a influência contemporânea do cordel também se reflete em decorrência da Internet. “A rede é uma das grandes contribuidoras para a perpetuação da literatura do cordel. Hoje, existem vários blogs e fóruns de discussão, além, é claro, das famosas pelejas virtuais. No entanto, ainda é notável que seus maiores interessados sejam pessoas que de alguma forma tem ou em seus pais ou avós, a influência de uma época onde a busca pelo cordel era essencial para a formação do saber”, analisa.

Daniella, a intensa

Sobre Daniella, a intensa

Para viver preciso acreditar nos sentimentos mais profundos que a alma humana pode oferecer. O infinito para mim é bastante atraente e o "meio termo" praticamente não existe. Tenho uma alma intensa, carismática, dramática. E é com toda essa intensidade que procuro dar o meu melhor como mãe, esposa, filha, irmã, amiga, jornalista, poetisa!

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