Como o escândalo da carne nos faz pensar sobre o vegetarianismo

O escândalo recente envolvendo a produção de carne no Brasil, que estaria sendo mascarada para a venda ao consumidor com substâncias cancerígenas e outros absurdos, assustou o brasileiro, o mercado internacional e desviou, ou ao menos dividiu, nossa atenção da polêmica Reforma da Previdência em pauta no Governo. Neste turbilhão de informações, enquanto ainda estamos atordoados e tentando separar o joio do trigo e digerir um papelão de cada vez, muita gente começou a arregalar os olhos e ouvidos para uma questão pertinente, mas deixada de lado, o vegetarianismo.

Se, deixar de comer carne sempre foi uma possibilidade sequer considerada por grande parte da população – que prefere não falar sobre o assunto indigesto do sofrimento animal em criadouros e abatedouros – a possibilidade de estarmos consumindo produtos impróprios para a alimentação humana abriu uma porta para a mudança de hábitos. Não que ela vá ocorrer na população do dia para a noite, mas ao menos serve como um empurrão a mais para olharmos sem tanto desprezo para a vida vegetariana.Como o escândalo nos faz pensar sobre o vetegarianismo 3

Quando falamos em restrição alimentar, geralmente a retirada de itens do cardápio vem de uma necessidade. Mudar hábitos é consideravelmente desconfortável e, mudar hábitos alimentares em particular, um grande desafio. Haja visto como dietas são complicadas de seguir, pessoas que se descobrem com intolerância ou alergia a algum alimento têm dificuldade em encontrar opções até mesmo no supermercado, que dirá em restaurantes e festas onde a comida já está pronta. Fazer restrições por escolha, que não tenha como objetivos ganhos próprios (como melhoria da saúde, ou estética), é uma decisão fora de questão para muita gente. Ou, pelo menos por alguns dias, deixou de ser.

O mais novo escândalo envolvendo a saúde e qualidade da carne que consumimos e que atingiu praticamente de forma unânime todas as empresas produtoras do Brasil e não um caso pontual, abre a discussão em outro patamar: estamos correndo riscos consumindo carnes e colocando esse produto na mesa da nossa família? A carne está ou pode vir a me fazer mal, causar danos?

As perguntas dividem opiniões e, enquanto para uns estamos sendo contaminados pelo que comemos, para outros existe um exagero na condenação que se fez da carne nos últimos dias. Mas, fato é que este não é o primeiro escândalo envolvendo a carne e outros produtos de origem da exploração animal. E, pelo histórico global, nem será o último.

Exemplos recentes são a doença da “Vaca Louca” em 2000, que atingiu o gado da França (8 toneladas de carne potencialmente contaminada foram vendidas a redes de supermercados), o que causou pânico no mercado europeu, pois a doença afetaria o cérebro humano. Venda de carne de cavalo disfarçada de carne bovina em 2013 na Europa e América Latina. Elementos como soda cáustica e água oxigenada encontrados no leite de uma grande produtora brasileira em 2007 e em anos seguintes em outras gigantes do leite, como em 2013.

Obviamente nem tudo são flores para quem decide adotar a alimentação vegetariana. A soja, um dos principais substitutos da carne para quem caminha pelo vegetarianismo, também é envolta em polêmicas, como o fato de grande parte destes grãos produzidos no Brasil serem geneticamente modificados, ou seja, transgênicos, como muitos outros produtos no mercado. Citada com benefícios e malefícios ao organismo, a soja divide opiniões. Ainda assim, é um alimento altamente nutritivo e existem muitos pratos que podem ser feitos de forma saborosa com outros ingredientes. De qualquer forma, o ideal é iniciar qualquer mudança alimentar com a ajuda de um nutricionista.Como o escândalo nos faz pensar sobre o vetegarianismo 2

Diante dessa tempestade, nos resta aproveitar para pensar. Sobre nossos hábitos e opções que existem para nossa alimentação. Parar de escolher no automático e, realmente, começar a ver o que é melhor, não só para nós, mas para nossa família, sociedade e meio ambiente. Sobre costumes que podem ser mudados e que isso pode ser bom. Desde que com cautela e cuidado. As possibilidades existem e podem se tornar mais variadas, como as próprias empresas produzirem mais alimentos voltados a diferentes públicos, como os vegetarianos.  E você, em reuniões de família, variar o cardápio também.

Andressa, a detalhista

Sobre Andressa, a detalhista

A profissão de fotógrafa já denuncia minha atenção e gosto pelo detalhe. Apesar de amar as imagens, também adoro escrever e principalmente, pensar sobre o cotidiano. Formada em jornalismo, trabalhei nesta área antes de morar na Irlanda, onde passei quase dois anos. Conhecer e explorar o novo é sempre bem-vindo. Assim também é um bom brigadeiro de panela.

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