Bom dia, estranho!

O trajeto é longo e o passo é curto. Mais um daqueles dias em que já se acorda cansada. Talvez porque a cabeça seguia pesada demais diante de tantas indefinições e decisões a tomar. Sem contar as listas, sempre intermináveis. E pensar cansa. Pensava tanto que nem prestava mais tanta atenção nas pessoas e nos lugares por onde passava. Andava, mas sempre distraída.

O caminho era longo, mas nem me dera conta do tanto que já havia andado. “Já estou aqui?!” Simplesmente não me lembrava. Como se corpo e alma se desconectassem por um instante e a percepção do agora já não fosse mais tão nítida. Segui inquieta, até que fui interrompida ao chegar na esquina de uma pequena rua. “Bom dia!”

Bom dia, estranho! 1

Devia ter uns três anos de idade. Estava de mãos dadas com o pai e, ao me cumprimentar, pude sentir todo o seu encanto. Em seguida sorriu, um daqueles sorrisos que nos abraçam e nos tocam por completo. Eu, que ao menor cumprimento de estranhos abaixava a cabeça e nada dizia, naquele dia retribui. “Bom dia!”, respondi com afeto. Talvez pelo despertar ter me alcançado da forma mais pura e doce, sem constrangimentos. O trajeto era curto e o passo era lento. Segui meu trajeto, mas dessa vez com leveza e mais atenta a essas pequenas delicadezas que a vida pode nos proporcionar.

Gabriela, a observadora

Sobre Gabriela, a observadora

Tenho um gosto particular pelos pequenos prazeres que a vida pode proporcionar. Um tanto quieta e observadora, sonho muito, critico muito e gosto de me desafiar. De tudo que vejo, penso e sinto: conto, crônica e o que mais der na telha.

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