Banalização do sexo: a sequela de uma sociedade doente

Difícil criticar a banalização do sexo em uma sociedade que hipervaloriza o corpo, a imagem, o jovem e a sensualidade de forma cada vez mais escancarada.

É só ver na televisão os comerciais cada vez mais provocantes, nos programas de auditório as dançarinas com tudo à mostra dançando com olhar de “vou te devorar” e sem contar no enredo das novelas que mostra de forma natural e até com um pouco de humor temas como a infidelidade e poligamia.

Nas redes sociais, homens e mulheres (principalmente mulheres) exibem seus corpos desde muito cedo, tendo a sua autoestima totalmente construída em cima de curtidas.

Parece que nossos olhos já se acostumaram com tanto conteúdo apelativo.

O resultado disso tudo é refletido no dia a dia, principalmente com a expressão “sexo casual”, que é o maior exemplo da banalização do sexo, como se este, fosse uma necessidade fisiológica que precisamos “aliviar” de vez em quando.

Uma energia tão poderosa, capaz de criar outro ser, sendo tratada de forma tão banal.

Não é questão de caretice ou de ter uma visão romântica sobre o sexo, mas é necessário e urgente refletir sobre o tema uma vez que estamos ajudando a construir um exército de pessoas escravas do corpo, sem autoestima, insensíveis e com potencial para transformar os padrões de relacionamentos.

Posso citar alguns exemplos:

  • Crianças iniciando namoros cada vez mais cedo (achamos fofo!)
  • Crianças dançando funk e indo para baladinhas (achamos muito fofo!)
  • Mulheres sem autoestima acreditando que só merecem ser valorizadas enquanto forem bonitas (achamos normal já que ter autoestima é se sentir bonita. Oi?)
  • Mulheres com dependência afetiva, que precisam ser uma atriz pornô na cama para satisfazer seus parceiros (se eu não der tudo o que ele precisa, vai procurar fora de casa!)
  • Aquele programa Amor e Sexo, que finalmente saiu do ar (pouco informação de qualidade e muita exposição desnecessária)
  • Sites e aplicativos que estimulam a infidelidade (sem comentários!)
  • Etc, etc, etc…

Concluo de forma sucinta e com muito pesar que a nossa sociedade e os nossos valores estão mudando. Estamos assistindo a formação de uma geração que pouco se importa para as consequências de seus atos e não sabe o que é respeitar o próximo e muito menos, respeitar a si mesmo, tudo isso, é claro, incentivado pela mídia e tecnologia.

Para mim, quem precisa mostrar excessivamente o corpo é por que não tem mais nada para mostrar, além do corpo. E quem se apoia em relacionamentos casuais é por que ainda não conheceu o amor…. mas isso é só a minha opinião!

Mariana Dorigatti

Sobre Mariana Dorigatti

Sou apaixonada por tudo que se move ou move algo dentro de mim. O diferente me fascina e o improvável me desafia a querer me superar em todos os sentidos. De modo geral, acredito nos ensinamentos do mestre Mahatma Gandhi: de modo suave, você pode sacudir o mundo.

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