Atingidas no ponto G

Você já teve a experiência de ser violentamente invadida? De se sentir estupidamente cansada e satisfeita? Algumas mulheres não apenas já viveram esses momentos como os prorrogaram. O que difere entre elas, em alguns casos, é o objeto do prazer.

Pensemos numa cena:

“E lá estava ele, formatado na virilidade, como todo monumento, na sua opulência. Orgulhoso, magistral, em pé. Aproxima-se, nunca chega devagar, invade, ultrapassa, se alastra. E ela? Ela agora é latifúndio, explorada pelas mãos do seu algoz, fora extraída pelas vísceras, para servir-lhe de alimento. A tragédia é pensar que ainda se é alguém, depois de tantos apelidos e nenhum nome. Há tempos, cortada e judiada. Ela? Permissiva, se entregava.

Embevecida, com sua expressiva desenvoltura, sente-se castrada. Agora estava mutilada de si. Nada nela era dela, tudo a ele pertencia. Estava devorada, exalava das entranhas um unguento enlouquecedor, deixara de ser mulher, há tempos, agora se tornara um estereótipo do cio, em meios aos gritos, uivava e gemia, numa mistura heterogênea de dor e prazer.

Ela sempre soube que, ao render-se, morreria aos poucos. Era eutanásia. O fim previsto, desde o início, sempre soube que tê-lo, custar-lhe-ia muito caro. Primeiro, porque seria um suicídio psicológico, e segundo, a prova perfeita e cabal da sua loucura catalogada e cravada em sua própria carne.

Agora queria ser alforriada. Tarde demais. Fora atingida em cheio no ponto G.”

E então, alguma identificação? Cem por cento não. Cinquenta por cento talvez? Trinta? Dez? Negue. Negue que você nunca sentiu isso ou que pelo menos não desejou senti-lo! “Prazer negado é prazer não permitido”, li certa vez em um artigo. Claro que cada uma com suas particularidades, mas sempre se sentindo VIVA!

Mulheres “sexualmente vegetarianas” não conseguem dobrar a esquina da mediocridade. Escondem-se por trás do véu de uma moralidade hipócrita, que lhe rouba não somente a vontade de viver, mas mutila o seu clitóris.

Mulher realizada é outra coisa, percebe-se no olhar, vive sempre cheia de vida e de intenções; boas, más e terceiras, todas para serem experimentadas. E mesmo sendo CONSOANTE, faz uso das interjeições monossilábicas de encontros vocálicos.

Ainda bem que nem todos os homens são disléxicos. Acertam o nosso ponto G e formam frases. Viva o alfabeto e aos orgasmos literários!

Cristiane, a progesterônica

Sobre Cristiane, a progesterônica

Minha voz ecoa entre as pernas, advinda dos grandes e pequenos lábios. Na condição de fêmea, experimentando o cio, incitando vontades e provocando ardores. Ávida, me fecundo. Chego úmida e sedenta. Sem amarras, eu chego às terças.

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