Até onde você vai para realizar seus sonhos?

Essa foi a pergunta que ficou na minha cabeça depois de assistir ao intrigante “A aventura de Kon-Tiki”. O filme, dirigido por Joachim Ronning e Espen Sandberg, foi indicado pela Noruega para disputar o Oscar no começo do ano, mas perdeu a estatueta para o francês “Amor” (excelente, também recomendo).

 “A aventura de Kon-Tiki” mostra a verídica saga do historiador norueguês Thor Heyerdahl, que queria provar que a Polinésia tinha sido colonizada a partir dos povos da América do Sul (e não da Ásia, como todos acreditavam). O explorador morou 10 anos em Fatu Hiva, na Polinésia Francesa, estudou profundamente os animais, vegetais e frutas do local, além de ter conversado com os nativos sobre seus ancestrais e suas lendas. Para provar sua teoria, Thor saiu do Peru no ano de 1947 em uma viagem de mais de oito mil quilômetros pelo Oceano Pacífico até a Polinésia.

 Antes da viagem, que os jornais da época chamaram de “suicídio”, o norueguês escreveu um livro sobre a nova teoria e entrou em contato com diversas editoras para publicá-lo. Ouviu que sua pesquisa era absurda e que ninguém jamais acreditaria no que ele estudara. Para provar que estava certo, começou a planejar uma viagem igual a feita pelo povo Kon-Tiki, 1500 anos atrás, quando a Polinésia tinha sido colonizada.

 Decidida a viagem, procurou marinheiros experientes e contou sua ideia. Todos disseram ser impossível sair do Peru em direção ao arquipélago no meio do Pacífico viajando em uma rudimentar jangada (que mais parecia uma balsa) sem motor ou aparatos modernos. Thor queria usar as correntes marítimas como “estradas” e as estrelas para se guiar. Mesmo sozinho, foi atrás de patrocínio de diversas revistas e jornais com o intuito de contar a história durante a jornada. Ninguém acreditou nele. Durante a busca por dinheiro em Nova York, conhece um engenheiro que aceita embarcar em sua aventura.

 Os dois vão para o Peru, sem financiamento, pensando em como realizar a empreitada. Depois de mais de um mês buscando incentivo no país, finalmente conseguem se encontrar com o presidente peruano, que aceita patrocinar a aventura. Thor encontra mais cinco amigos noruegueses dispostos a participar da viagem e a tripulação começa a construir a embarcação. Feita por troncos de madeira, de forma bem rudimentar, como a que o historiador acreditava ter sido usada pelo povo da América do Sul 1500 anos antes, finalmente o sonho de Thor começa a virar realidade.


Quem quiser saber o final vai ter que assistir ao filme, mas alguns detalhes que me chamaram a atenção:

* a história é verdadeira: o historiador norueguês Thor Heyerdahl realmente viajou do Peru a Polinésia em uma espécie de balsa

* o explorador ficou mais de 3 meses no mar e não sabia nadar (!)

* a saga, realizada em 1947, foi filmada e ganhou o Oscar de melhor documentário em 1950

* dos 6 homens à bordo, apenas um tinha “alguma” experiência como marinheiro

* mesmo depois de assistir ao filme, é difícil acreditar que ele tenha sobrevivido. Thor morreu em 2002, aos 88 anos!

Mas, o mais importante: apesar de todas as dificuldades e do enorme desafio, esses homens tinham a ideologia de realizar um sonho. Foram contra a crença de todos para realizá-lo. E você, até onde vai para realizar seus sonhos?

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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