Até o ponto final

Georges_Seurat_-_Un_dimanche_après-midi_à_l'Île_de_la_Grande_JatteNas artes visuais, o ponto é definido como a unidade mais simples e irredutivelmente mínima de comunicação visual. Na natureza, o arredondamento é sua formulação mais corrente. Geometricamente ele é singular, não possui extensão.
Qualquer ponto tem uma grande força de atração visual sobre o olho, tanto se sua existência é natural, quanto se é produzido pelo homem com algum propósito. Para feito deste sistema de leitura, considera-se como ponto, qualquer elemento que funcione como forte centro de atração visual dentro de um esquema, seja numa composição, seja num objeto.

Parabéns se você chegou até esse ponto da leitura.  Pontual e propositalmente, começo minha reflexão com uma leitura técnica, enfadonha, desinteressante. Creio que muitos, diferente de você, teriam criado seu próprio ponto final em quaisquer dos pontos acima. Eu mesma teria criado meu próprio “ponto final” nas primeiras linhas. Faço isso sempre que me deparo com uma leitura que não me cativa, que não me envolve.

Mas, o ponto é: até que ponto podemos julgar alguém pela aparência ou algum texto, lendo apenas as primeiras linhas? Nesse contexto, lembro o antigo ditado: não julgue um livro pela capa. Talvez esse texto não seria surpreendente se resistíssemos às primeiras impressões ou mesmo não prestássemos atenção aos detalhes, como por exemplo, a dica encontrada no titulo.

Esse é o ponto. Quando não nos permitimos ir até o ponto final, muitas vezes perdemos a chance de nos surpreender positivamente. Nem toda primeira impressão é certa. Tudo pode acontecer, tudo pode se transformar. Basta nos permitirmos, afinal, até mesmo um simples ponto pode ter muitas variáveis.

Na dúvida ou na curiosidade, o ponto é de interrogação;
Se enfático ou assertivo, exclamação;
Para bem explicar, dois pontos;
Quando as palavras faltam, reticências…
Ponto e vírgula, eu usei até aqui;
E enfim, para bem finalizar, ele se torna final.

Quantas vezes desperdiçamos uma chance, um grande amor, uma bela amizade por ter colocado um ponto onde não havia? Tudo pode acontecer, tudo pode se transformar, seja uma leitura, um sentimento, uma conclusão.

Moral da história: se até um ponto pode se transformar e dar sentido às circunstâncias, que dirá o ser humano? Ponto final. Você chegou ao ponto final!

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CRÉDITO IMAGEM: Georges Seurat – Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, 1884 – 1886  – O Pontilhismo é uma técnica de pintura, saída do movimento impressionista, em que pequenos pontos de cor provocam, pela justaposição, uma mistura óptica nos olhos do observador (imagem).
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Agradecimento especial: Daniela Almeida

Ana, a atrevida

Sobre Ana, a atrevida

Atrevo-me a me inspirar, atrevo-me a mergulhar profundamente em letras, espaços e pontos, símbolos conducentes, ícones de sentimentos (...) me atrevendo me formei em artes visuais, me atrevendo me dedico a profissão de editora de imagens já por quase vinte anos, me atrevendo pinto, bordo, costuro. Me atrevendo me casei. Me atrevendo viajei o mundo, me atrevendo escrevo às sextas e você me lê. Atrevida!

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