As pessoas que conheci

Depois de explorar lugares desconhecidos, a segunda melhor coisa de viajar é conhecer pessoas novas. Toda vez que eu vou ou volto da Ásia conheço pessoas interessantíssimas no avião, aeroporto, em cafés e restaurantes. Desinbida que sou, é só avistar um (ou uma) ocidental que logo vou puxando papo. Quero saber tudo: de onde a pessoa vem, o que estudou, o que faz e o que a levou para um continente tão distante. Adoro ouvir histórias de pessoas com a vida diferente da minha.

Na ida para Hong Kong, sentou ao meu lado no avião um homem muito estiloso: alto, cheiroso, grande topete na cabeça. com uma bermuda jeans toda rasgada, coturnos pretos, camiseta regata e o braço cheio de pulseiras. Descobri que ele estava indo para a pequena ilha do sul da China pela primeira vez trabalhar como cantor da Disney no musical “A Bela e a Fera” e soube que ele já havia morado no Japão, onde trabalhou para a mesma empresa.

Também na ida, conheci um brasileiro que disse ser assistente pessoal de “um famoso piloto de Fórmula 1”, mas não adiantou eu insistir que ele não disse quem era. Márcio me contou sobre seu trabalho, que inclui providenciar desde meias pretas minutos antes de uma entrevista coletiva, até organizar a logística de transporte que leva o “famoso piloto de Fórmula 1” para eventos e provas e também providenciar pequenos “mimos”, como ter sempre disponível a fruta preferida de seu cliente.

Em pouco menos de 5 minutos, enquanto registrava minhas digitais na imigraçado dos Estados Unidos, soube que a americana que autorizou minha entrada no país havia morado 6 meses no Pará (!) quando adolescente. Trocamos algumas frases em português. No Brasil, o menino de 18 anos que viu meu passporte logo na entrada do nosso país fez questão de mostrar sua identidade quando eu duvidei que ele tão novo assim já tivesse passado no difícil concurso.

Na volta da Ásia para São Paulo, ainda no aeroporto fazendo minha última refeição asiática, um senhor chinês muito bem vestido de terno e chapéu (e com bem mais de 80 anos) pediu licença para dividir a mesa comigo, já que o restaurante estava bem cheio. Ele sentou e descobrimos estar no mesmo voo. Gilbert me contou ser natural de Hong Kong, mas residente dos Estados Unidos há mais de 50 anos. Ele voltou à sua terra natal depois de ser convidado para pintar um vitral no aeroporto da cidade. Conversa vai, conversa vem e descobri que ele tem dezenas de obras expostas no Museu Nacional de Hong Kong, lugar que eu passara no dia anterior e que, para minha decepção, já estava fechado quando cheguei. Fiquei do lado de fora observando as fotos das obras em exposição. Mal podia imaginar que no dia seguinte estaria dividindo a mesa do café com um dos mais renomados artistas do museu.

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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