Antes de partir

Há algum tempo atrás assisti um filme com Jack Nicholson e Morgan Freeman, com o título “The Bucket List” , em português, “Antes de partir”. É a história de dois homens com câncer em estado terminal que resolvem fugir do hospital com uma lista de coisas que sempre desejaram fazer a vida toda, mas nunca fizeram e resolvem realizá-las antes de partirem desta vida.

Este filme me motivou a fazer uma lista de coisa que quero fazer antes de partir e acabei descobrindo que a lista é interminável, pois acabo sempre descobrindo mais e mais coisas que gostaria de fazer.

Recentemente precisei passar por um procedimento cirúrgico e passei por uma bateria de exames médicos e assinaturas de vários termos de responsabilidade do tipo: – “Se você morrer, a culpa não será nossa.” Alguns dias antes da cirurgia, após assinar o último desses termos, fiquei pensando: – E se realmente eu fosse morrer daqui a quatro dias? O que eu faria antes de partir?

Então prestei mais atenção nas coisas do meu cotidiano. Meu filho, meus sobrinhos e uma amiga deles que conheço desde que nasceu. Eles passaram uma tarde toda comigo. Conversamos, comemos, brincamos, jogamos. Coisas que sempre fazemos juntos desde que eram crianças.

Depois, li um bom livro deitada na minha rede na varanda, afagando minha gatinha que estava ao meu lado, comi um bom chocolate suíço. Mandei um e-mail para um amigo querido que está distante. Visitei uma amiga que está doente. Liguei para outra amiga e conversamos um bom tempo ao telefone. No dia seguinte fui caminhar no Parque Portugal com outra amiga e fiz lindas fotos. Nas vésperas da cirurgia, almocei com outro amigo muito querido.

Na manhã da cirurgia, meu marido e eu caminhamos até o hospital, de mãos dadas, num silêncio amistoso de quem vive juntos há três décadas.

Agora, aqui, me convalescendo, percebo que são as coisas simples que nos tocam o coração todos os dias. São as pequenas coisas que fazem nossa vida mais feliz. Faz de nós o que somos. Basta um lindo dia de sol, um céu azul, ou um dia de chuva, a companhia de pessoas queridas, o nosso cotidiano. Essas são as verdadeiras alegrias da vida. Não é preciso fazer coisas mirabolantes como escalar o Himalaia, fazer meditação por um ano no Tibete para ser feliz.

Às vezes devemos parar um pouco as nossas correrias pela sobrevivência e simplesmente “viver” o que a vida nos oferece, pois como dizia minha querida e sábia avó: “Nada é tão certo nesta vida quanto o fato que você terá de deixá-la um dia.”

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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