Aniversário

Aniversário 1

Hoje é meu aniversário. Eu sou uma pessoa tímida e nunca gostei de festas surpresa, todo mundo olhando para você, cantando “Parabéns a você”, nunca foi meu forte.

Eu gosto mesmo dos pequenos prazeres, ficar na cama até mais tarde, ler um bom livro, ver um bom filme, olhar os ipês coloridos em contraste com o céu. São essas pequenas coisas que gosto.

Eu estava pensando na minha mãe e chorei. Todo aniversário meu ela comprava um sapatinho na Casas Lord e dizia: -Se não ser você pode trocar. Eu ficava incomodada por ela gastar seu pouco dinheiro comigo. Mas agora, daria qualquer coisa para vê-la chegar com a caixa de sapatos embrulhada para presente e ouvir sua voz e receber seu abraço.

É isso que o tempo, esse vilão nos rouba. Ele nos roupas as pessoas queridas, o momentos especiais e depois nos diz: – O tempo cura tudo. Talvez cure, talvez não, eu não sei. O que eu sei é que ele passa e muito rápido, os aniversários me lembram disso.

Rubem Alves fala coisas lindas e profundas sobre aniversários. Ele fala sobre a simbologia de se apagar as velas é como se apagasse a vida, apagasse mais um ano que passou. E é verdade, mais um ano se passou, mais um ano que o tempo levou.

Faço minhas algumas palavras de Rubem Alves que gosto muito.

“No dia do meu aniversário os números vão mudar, como mudam no rodômetro, aquele aparelhinho no painel do carro que marca a quilometragem. Está lá “67” e aí, de repente, o “7” dá um pulo e o “8” aparece no seu lugar. Esse é um jeito de marcar o tempo, contando os números.

Jeito bobo. Os números não dizem nada. Há um verso sagrado que diz: “Ensina-me a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.” Muita gente envelhece sem ficar sábio. O que é um sábio? Sábio não é quem sabe muito. Sábio é quem come a vida como se ela fosse um fruto saboroso. O sábio presta atenção nos prazeres e alegrias de cada momento. E o que dá prazer e alegria não são coisas grandes, festas com bolo, bexigas e presentes. O que dá alegria são coisas pequenas. Por exemplo: brincar com um cachorrinho. Balançar num balanço. Andar na água fria de um riachinho. Ver um ipê florido. Ler um livro. Armar um quebra-cabeças. Ver fotografias antigas.

Tudo que quero é contar os meus dias de maneira que eu alcance um coração sábio. Talvez isso o tempo traga de bom, aprender com as experiências da vida, dos anos e buscar um coração sábio. Que o tempo me traga isso por cada ano que me rouba.

 

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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