Amor ao peixe

O rabino Dr. Abraham Twerski é um psiquiatra e fundador do Centro de Reabilitação Gateway em Pittsburgh, uma das principais instalações da América para tratamento de dependência. Autor de mais de 60 livros, Twerski também dá palestras abortando temas como dependência química, estresse, autoestima e espiritualidade.

Em uma de suas exposições mais famosas ele comenta como nós estamos distantes do verdadeiro amor e como nossa visão é distorcida sobre a realidade das relações amorosas.

O rabino provoca uma reflexão filosófica quando inicia a palestra contando a história de outro sacerdote, que encontrou um jovem deliciando-se com um prato de peixe e perguntou: “Por que você está comendo esse peixe?”. Imediatamente e de forma natural o jovem responde: “Porque eu amo peixe!”, ao passo em que é rebatido pelo rabino, que provoca: “ah, então você ama o peixe? É por isso que o tirou da água, o matou e o ferveu? Você não ama o peixe, você ama a si mesmo, pois, em sua opinião, o sabor do peixe te agrada”.

Da mesma maneira em que o jovem está equivocado ao dizer que “ama” o peixe, vivemos em um mundo de equívocos com relação ao amor, que, inclusive na visão de Twerski, é uma palavra que já perdeu o seu sentido.

Quando as pessoas se apaixonam é porque, de algum modo, enxergam naquele ser alguém capaz de satisfazer suas necessidades emocionais e físicas. E mesmo após muitos anos juntos, continuam depositando no outro a responsabilidade de suprir suas necessidades, de amenizar suas aflições, fazendo do companheiro um veículo para a autossatisfação.

É por isso que muito do que chamam de amor, é como o amor ao peixe.

Na verdade, usamos a “desculpa” de amar para suprir necessidades próprias, para não dizer egoístas.  Amar verdadeiramente o próximo é um trabalho mais difícil, conforme reforça o rabino, já que amar a nós mesmos é algo natural, intrínseco.

Em sua grande sabedoria o rabino conclui que há um gravíssimo erro em achar que você “dá àqueles que você ama”, quando a verdade é que “você ama aqueles a quem você dá”.

Pois o amor basicamente é sobre o que vamos dar e não sobre o que vamos receber.

Simples em sua definição, mas tão complexo quando colocado em prática.

Confira o vídeo:

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Mariana, a sensível

Sobre Mariana, a sensível

Sou apaixonada por tudo que se move ou move algo dentro de mim. O diferente me fascina e o improvável me desafia a querer me superar em todos os sentidos. De modo geral, acredito nos ensinamentos do mestre Mahatma Gandhi: de modo suave, você pode sacudir o mundo.

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