Além o deserto

* Por Maria José Vieira

Tomando emprestado o pensamento e palavras da psicóloga Junguiana: Clarissa Pinkola Estés, trago uma mensagem para todas a mulheres que este escrito possa alcançar.

Ela nos conta o que muitas de nós sabemos ou mesmo vivemos. Medo, depressão, fragilidade, bloqueio e falta de criatividade são sintomas cada vez mais frequentes entre as mulheres modernas, assoberbadas com o acúmulo de funções na família e na vida profissional.


Segundo Clarissa essa questão não é nova, ela chegou junto com uma cultura que transformou a mulher numa espécie de animal doméstico.

Dentre muitas maravilhas citadas em seu livro MULHERES QUE CORREM COM O LOBOS, Clarissa escreve:

Os antigos chamavam o deserto de uma revelação Divina. Para as mulheres, porém, ele oferece muito mais do que isso. O deserto é um lugar em que a vida se apresenta muito condensada. As raízes das plantas se agarram á ultima gota d’água, e as flores armazenam umidade abrindo apenas de manhã cedo e ao final da tarde. A vida no deserto é pequena porém brilhante, e quase tudo que acontece tem lugar no subsolo. Essa descrição é semelhante á vida de muitas mulheres. O deserto não é exuberante como uma floresta ou selva. Ele é muito Além o deserto 1intenso e misterioso nas suas formas de vida. Muitas de nós vivem vidas desérticas: ínfimas na superfície e imensas por baixo. A psique da mulher pode ter chegado ao deserto em virtude da ressonância, devido a crueldades passadas ou por não lhe ter sido permitida uma vida mais ampla a céu aberto. Por isso, muitas vezes uma mulher tem a sensação de estar vivendo num local vazio, onde talvez haja apenas um cacto com uma flor de um vermelho vivo, e em todas as direções 500 quilômetros do nada. No entanto, para aquela que dispuser a andar 501 quilômetros, existe mais alguma coisa. Uma casa pequena e admirável. Uma velha. Ela está á sua espera. Algumas mulheres não querem entrar no deserto psíquico. Elas detestam a fragilidade , a escassez. Não param de tentar fazer um calhambeque enferrujado funcione para que possa descer aos solavancos pela estrada na direção de uma refulgente cidade que fantasia na psique. Decepcionam-se porém, pois a exuberância e a vida selvagem não se encontram ali. Não seja tola. Volte, para debaixo daquela única flor vermelha e siga em frente percorrendo aquele último e árduo quilômetro. Aproxime-se e bata á porta castigada pelas intempéries. Suba até a caverna. Atravesse engatinhando a janela de um sonho. Peneire o deserto e veja o que encontra. Essa é a única tarefa que temos que cumprir.”

Convido a todas que faça sua interpretação. Onde se reconhece?

* Maria José Vieira é pedagoga e terapêutica holística

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