Afinal, o que é feminismo?

No último final de semana participei da (ótima) Casa TPM, que teve como tema questões femininas, e também refleti bastante sobre duas perguntas que foram feitas para mim recentemente.

Há três semanas, quando comecei a escrever no Faces Femininas, um moço que eu conheço leu o meu perfil e perguntou: “O que é ser ‘pré-feminista? Eu procurei na internet e não encontrei a resposta”. Oras, ser “pré-feminista” é estar buscando mudanças para um dia ser feminista. É ter um objetivo e se adequar para conseguir aquilo que se quer. Afinal, ninguém se torna feminista de um dia para o outro. Há um caminho a ser percorrido. Ser feminista é uma construção.

Enquanto as meninas brincavam de passar roupinha ou “limpar” a casa, os meninos brincavam de carrinho, de super-heróis. Perdi a conta de quantas vezes escutei minha mãe falando que homem é melhor do que mulher e que nós só nos “ferramos” porque a vida é assim e ponto. A vida não é assim! Cabe a cada uma de nós desconstruir essas ideias estereotipadas e absurdas! O meu pai, em compensação, sempre disse que eu poderia fazer tudo aquilo que quisesse e me apoiou até quando eu resolvi ficar vários meses viajando sozinha pela Ásia.

Quando eu disse que estava escrevendo em um blog de mulheres e que pretendia me tornar uma feminista, um outro moço virou e falou: “Mas eu já acho você muito feminina, você quer ser mais?” Bom, ser feminina nada ter a ver como ser feminista! E abaixo eu tento explicar um pouco…

… o quê, afinal, é feminismo?

Feminismo é um movimento social que tem como objetivo conquistar a igualdade entre homens e mulheres. Nós sabemos que o Brasil está muito longe de ter igualdade entre os gêneros e as feministas buscam o direito legal das mulheres: direto à autonomia, à integridade de seu corpo, direito reprodutivo; proteção de mulheres contra violência sexual e doméstica; igualdade salarial.

Este final de semana, na Casa TPM, participei de diversas palestras com mulheres contando suas histórias. A primeira mesa, com Andrea Alvares, CEO da PepsiCo, e Adriana Mendes, delegada de polícia no Rio de Janeiro, mostrou que as mulheres não precisam deixar de ser femininas ao alcançar grandes cargos de liderança. É possível, sim, ser feminina e feminista ao mesmo tempo. Andrea e Adriana mostraram que a simplicidade e humildade são importantes mesmo sendo mulheres muito poderosas. Um exemplo para todas nós.

Mara Gabrilli, deputada federal tetraplégica, e Maya Gabeira, surfista profissional, conversaram sobre a importância de estar com o corpo saudável para enfrentar as dificuldades diárias. Mara afirmou que, antes do acidente que a deixou sem poder se mexer do pescoço para baixo, corpo bonito era uma questão estética, mas hoje, estar com tudo funcionando perfeitamente é fundamental para ela ter uma melhor qualidade de vida.

Outra mesa que eu gostei muito foi a com a blogueira ultrafeminista Lola Aronovich, autora do ótimo “Escreva, Lola, escreva”. Ela contou sobre como sofre preconceitos por escrever defendendo o direito das mulheres. Disse que quando um homem escreve algo que não agrada outras pessoas é sempre chamado de “burro, idiota, estúpido etc.”, mas que quando uma mulher escreve algo que não agrada é chamada de “puta, idiota, vaca etc.”. As ofensas são diferentes, infelizmente.

Por fim, outra mesa muito interessante foi a com Elisa Gariulo, fundadora do Marcha das Vadias aqui no Brasil, Mary del Priori, historiadora que estuda o gênero feminino e com Clara Charf, viúva de Carlos Marighella. Achei Elisa muito radical, mas para liderar um movimento tão grande que defende os diretos das mulheres talvez não exista outro jeito a não ser a radicalização. A historiadora carioca defende que o machismo começa principalmente na educação que as mães dão para seus filhos. No fato de a mãe não deixar o filho lavar louça, arrumar o próprio quarto, contribuir com a limpeza da casa. Concordo. Os exemplos na infância e a criação recebida, sem dúvida, contribuem para formar a sociedade atual. Haja esforço para mudar e melhorar esse panorama. Ainda mais quando para mudar a situação, os homens teriam que sair da confortável situação que se encontram: sendo servidos e cuidados por mulheres, ainda depois de grandes.

Fiquei maravilhada ao saber que o guerrilheiro Marighella, que foi marido de Dona Clara (com seus 88 anos a participante mais velha do evento), compartilhava as tarefas domésticas, lavava roupa e limpava a casa. Isso pelo mais de 50 anos atrás. Ainda há esperança para os homens!

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

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