Adelaide era o nome dela

A primeira vez que a vi …me apaixonei. Adelaide era seu nome, e não me pergunte como eu sei disso.
– “Uma tônica, por favor.”
Virei – me para ver de onde vinha o som aveludado que suplicava por uma água gaseificada. Não terminei de virar meu corpo. Não conseguia me mexer ao observar os lábios rosados desgrudando lentamente da garrafinha de plástico. Ao perceber que o primeiro gole havia passado pela garganta, me acomodei confortavelmente no banco desconfortável do bar do gaúcho. De lá poderia observar melhor os traços delicados de seu rosto, imaginando qual seria o cheiro de seus cabelos, a pressão de seus lábios, o encaixe do abraço… Já havia me apaixonado e a única coisa que eu sabia era que ela gostava de água tônica.
– “Err… hum… boa tarde.”
Arrisquei um início de conversa com medo que ela fosse embora para sempre. Ela me olhou de cima a baixo, mas não respondeu. Deu mais um beijo na garrafinha e mudou as pernas de posição. Essa menina poderia conseguir o que quisesse com aquelas pernas. Gostaria que ela me quisesse, mas ela estava com muita sede naquele momento, talvez depois. Mas voltando às pernas, teimo em dizer que o melhor ainda estava por vir: os pés, que deveriam ser tamanho 35 ou 36, e que pareciam ter sido feitos de algum doce, pois o tempo todo tive vontade de colocá-los na boca.
– “Quanto é?”
– “R$ 2,50”, disse o gaúcho, explorando a pobre moça.
Um desespero tomou conta de mim. Ela iria embora para onde?
– “Moça!”, eu me arrependi no mesmo instante em que disse isso. Como ousaria chamá-la assim? Deusa, rainha, princesa …tudo isso era pouco para ela.
Mesmo assim, ela se virou. Fitou-me fixamente e, como em um sonho, proferiu:
– “Adelaide.”
Há três meses, me sento todas as tardes no bar do gaúcho na companhia singela de uma garrafinha de água tônica, mas Adelaide nunca mais apareceu por lá.

Mariana, a sensível

Sobre Mariana, a sensível

Sou apaixonada por tudo que se move ou move algo dentro de mim. O diferente me fascina e o improvável me desafia a querer me superar em todos os sentidos. De modo geral, acredito nos ensinamentos do mestre Mahatma Gandhi: de modo suave, você pode sacudir o mundo.

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