A viagem

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Eu sou a viajante e não é nenhuma surpresa que meu primeiro texto do ano fale em viagem.

Eu perdi uma amiga para um câncer recentemente. Ela lutou bravamente durante mais de dez anos. Amante de viagens como eu, havíamos combinado uma viagem pela Europa, mas ficou só na possibilidade, no talvez, quando der…

Quando o câncer apareceu, ela disse: – Quando eu me recuperar, faremos nossa viagem. O tempo foi passando e o câncer não.

Todas as vezes que estivemos juntas ela disse que iria se recuperar e para comemorar iríamos viajar juntas. Ela nunca se recuperou e nós nunca viajamos.

Todas as vezes que viajo pela Europa, eu penso nela. Vejo um lugar novo e penso que ela gostaria de ter estado lá comigo.

Depois que ela partiu para sua última viagem, a viagem que um dia, todos nós faremos, fiquei pensando em planos e desejos, coisas que queremos fazer e vamos deixando para depois, para o ano que vem, para quando tiver dinheiro e assim o tempo vai passando, e quando nos damos conta, é tarde demais.

No filme com Jack Nicholson e Morgan Freeman intitulado  “The Bucket List”, “Antes de partir” em português, dois homens com câncer se conhecem no hospital e decidem viajar o mundo enquanto há tempo. No filme, eles fazem coisas que sempre desejaram e nunca tiveram tempo ou coragem para fazer.

Será que na vida tem que ser assim também? Quando estamos na eminência de perdê-la é que queremos vivê-la? É que a julgamos preciosa?

Como disse sabiamente Oscar Wilde: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. Conheço tantas pessoas cujas vidas são um fardo, transformam tudo em problemas e sofrimentos para elas mesmas e para as pessoas que as cercam. Lamentam, reclamam, brigam, choram, guardam rancores no coração, não vivem, apenas existem.

A vida é uma dádiva, uma linda e curta dádiva. Que possamos vivê-la de forma leve e plena.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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