A verdade imposta

Há uma frase muito conhecida de Joseph Goebbels, propagandista nazista: “que a mentira repetida várias vezes, se torna verdade”. Se olharmos pela história, depararemos com diversos acasos que essa frase venha a calhar e que pode dar uma orientação para nós entendermos melhor tanto preconceito que existe não só no Brasil, mas em qualquer lugar.

Na antiguidade, os povos que não eram gregos e nem romanos eram tidos como “bárbaros”, pois não tinham as mesmas culturas dos gregos e dos romanos. Essa ideia foi levada como verdade até os dias de hoje. Vândalos era um povo nômade que invadiu o império romano e usamos atualmente vândalos como termo pejorativo para designar algum grupo que vive a margem da sociedade, um termo que virou banal. Afinal, de tanto dizer que o povo vândalo era bárbaro, hoje isso virou verdade.

No curso de religião para a 8ª série, ao colocar na lousa o título candomblé e umbanda, a maioria dos alunos começou a rir e a associar essas duas religiões à macumba. E isso não é para ser estranho, pois o candomblé é uma religião trazida ao Brasil por negros africanos (escravos em terras brasileiras) e a Umbanda que é uma religião propriamente brasileira. Claro, duas religiões ditas pela elite branca brasileira, como coisa do mal e assim, essa versão se tornou verdade e que faz hoje, meus alunos menosprezarem essas religiões.

O negro considerado inferior foi domesticado por uma raça superior, os brancos. A superioridade das raças se tornou verdade e é por isso, que já não se estranha escutar que os negros devem compor os serviços braçais, domésticos. Mas, confesso, a discriminação que eu vi sobre os médicos cubanos semana passada me horrorizaram e mesmo que envolva questões políticas, não tira o efeito das atitudes cometidas por alguns médicos brasileiros, que infelizmente afirmam ainda mais a mentira da superioridade das raças que ao que parece, para muitos, isso já virou verdade.

Raquel Manzo

Sobre Raquel Manzo

Acredita que todas as pessoas tem chance de mudar a própria história, por isso escolheu ser professora desta área. Detesta o consumismo e a relação de aparências e aposta todas suas fichas no poder da juventude. Sonhadora em todos os sentidos, até mesmo em príncipe encantado encontrados em filmes de comédia romântica. "Busco ser descolada, mas ainda estou aprendendo!"

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