A televisão e suas iIusões ilógicas

Tentar imaginar o futuro de um veículo tão poderoso quanto a televisão é algo um tanto assustador, assim como deveria ser há 50 anos quando se falava do futuro do rádio e a TV ainda era algo distante para aquela geração. Neste tempo possivelmente a sociedade temia que tal meio perdesse sua importância e relevância, mas hoje, percebemos que não foi bem assim.

Pesquisas em comunicação televisiva apontam que uma criança brasileira entre 3 e 12 anos de idade passa em média quatro horas diante da televisão. Esse período equivale a um tempo de três meses ao ano. Sendo assim, sobram apenas nove meses para que todas as outras atividades da vida desta criança como brincar, estudar e aprender a conviver sejam vivenciadas.

Ainda bebê, segundo minha mãe, ao perceber a TV ligada eu costumava me contorcer toda para acompanhar o que passava na telinha. Um pouco maior, de tanto que o universo cativava, minha tia por um bom tempo até me deu um apelido relacionado a televisão: Televina. Rsrsrsrs. Talvez seja por isso que canais como o Viva (36 na net), conta com minha audiência em alguns momentos. Por levar em sua programação clássicos que fizeram parte de uma infância que consumia TV aberta ainda na década de 90.  Com o advento da internet, obviamente o you tube também tornou-se um importante aliado para relembrar tal época.

Dentro da perspectiva de Antônio Brasil, professor de telejornalismo da UFJ , que participou da implementação da TV UERJ online (a primeira no Brasil), o futuro da TV já é considerada ultrapassada e obsoleta e que nesse cenário determinista, a TV aberta já tem seus herdeiros anunciados: as novas tecnologias.

Ele afirma que com o advento da televisão digital e o crescimento das TVs a cabo, a TV aberta parece atualmente está relegada a uma “condenação pública”, pois segundo ele, o que existe hoje na programação popular da TV é a baixaria consumida por aquele que ele chama de “novos pobres,” transformando assim o universo do público médio telespectador no país.

Já os telespectadores considerados “de qualidade” segundo ele, migraram para as novas tecnologias como a internet, que além de uma convergência de todos os outros meios, oferece tudo que a TV jamais conseguiu: interatividade automática e opções radicais de conteúdos segmentados, exclusivos e para todos os gostos.

Wilson Dizard Júnior, autor do livro “A nova mídia”  revela que assim como o rádio, a televisão não irá acabar, mas que ela terá que encontrar novos modelos de negócios para se manter, principalmente as emissoras de TV aberta. Desta forma o futuro da televisão aberta, segundo ele passará pelas seguintes etapas: Fusões e aquisições, corte de custos, TV integração com a Internet e maior autonomia para as emissoras locais.

É fato que algumas destas etapas já acontecem, porém é preciso perceber a que circunstancias cada uma se encontra e que destinos findarão. Um dos mais renomados pensadores midiáticos franceses, Dominique Woltn, em “Penser La Communication” alerta que apesar de todos os problemas e entraves técnicos e de conteúdo, a TV aberta ainda é um veículo de grande importância para a democratização da informação e para a socialização de uma programação universal.

De acordo com ele, para existir a democracia, precisamos de objetivos políticos comuns, mas também de assuntos comuns para uma integração de experiências, ou seja, precisamos nos manter em contato para uma formação de identidade pelos meios de comunicação de massa como a TV.

Por isso para ele, a TV aberta apesar de grande parte de sua programação ser defasada e sem criatividade, ainda pode ser um veículo gerador de cultura e educação no Brasil. Woltn diz que ela não precisa ser sinônimo de baixaria ou banalidade e nem a internet pode ser associada apenas a informação.Tanto que as páginas sobre sexo ainda são as mais acessadas na rede.

Quando assistimos a televisão maioria das vezes é a força da imagem e não o dos acontecimentos, que produz a impressão. Ela atinge diretamente o sentimento, modela nossa imaginação. Portanto vende muito mais emoção do que propriamente a ideia. É por isso que crianças estão muito mais desprotegidas diante dela do que de uma argumentação lógica.

Quem sabe seja por isso que o Canal Viva, aquele citado no início deste texto, ainda desperte em mim (e talvez em você leitor, que também assiste a programação do canal), o que hoje chamo de ilusões ilógicas. Elas remetem sentimentos que não desejamos trocar por nada porque levam exatamente aquela década de 90, época em que a TV aberta fez parte do  dia a dia de muitas crianças e que, de certa forma hoje serve como referência para refletir sobre um novo futuro.

Dani Almeida

Sobre Dani Almeida

Para viver preciso acreditar nos sentimentos mais profundos que a alma humana pode oferecer. O infinito para mim é bastante atraente e o "meio termo" praticamente não existe. Tenho uma alma intensa, carismática, dramática. E é com toda essa intensidade que procuro dar o meu melhor como mãe, esposa, filha, irmã, amiga, jornalista, poetisa!

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