A solidariedade é a esperança!

Pra mim a semana que passou foi marcada por imagens de solidariedade: a do motoqueiro que se despiu para aquecer um morador de rua, a de  um trabalhador que resgatou mais um bebê num buraco, a do papa Francisco ao abraçar o povo brasileiro mais carente:  a população da favela carioca de Varginha, jovens em tratamento para deixar as drogas, presidiários e idosos durante sua peregrinação.


Impossível ficar indiferente a tudo isso. Vivemos em tempos, no qual a violência toma conta de nossa agenda, recheia os jornais, acompanha-nos do café da manhã ao adormecer. A sensação de que tudo vai ficar ainda pior nos consome, nos aterroriza, nos paralisa e nos faz descrentes com dias melhores. O desânimo passa a ser nosso conselheiro.

A impressão que fica é a de que não há como fugir dessa desordem, da selvageria dos tempos modernos; e que vivemos numa geração de pessoas más. Mas não podemos nos conformar e nem acreditar nisso. Vale aquela máxima da política: quando se faz pesquisa no Brasil, a população maciçamente aponta os políticos como os mais corruptos – políticos que nascem e surgem do seio social. Entretanto, a sociedade se julga a mais honesta do mundo. Será que a  política seria o espaço da deformação, então? Não acredito. É preciso questionar de onde surgem, então, esses extraterrestres? Muita gente compara nossas câmaras representativas como verdadeiras zonas, onde não existem virgens. Numa clara alusão do é dando que se recebe. Mas digressão à parte, dedico esse texto ao dar sem receber, ser fazer alarde, sem trocas.

Quando um gesto nos revela que é possível ser bom sempre; ser melhor do que fomos ontem – hoje; e mais ainda amanhã; tudo se transforma. Ficamos cheios de esperança.  Tomamos um fôlego enorme para re (construir) um mundo novo, no qual todos temos responsabilidade com a mudança, seja com pequenos ou grandes atos. Ajudar um idoso ou um cego numa travessia, dar um troco num semáforo, dividir e compartilhar tarefas no trabalho e em casa, esbanjar gentileza no trânsito, cuidar do planeta, da família – e não me refiro só na relação pais e filhos, mas também na relação filhos-pais, segmento que – não raro – esquece que há um tempo, no qual a inversão de papéis é natural, e nossos pais se tornarão “nossos filhos” e exigirão dedicação extra, carinho, paciência e gratidão.

Muita gente é categoricamente contra os pequenos atos. Justifica e afirma  que o mundo não se transforma com trocos no semáforo. Alguns dizem que o dinheiro doado servirá para as drogas – o que não é uma inverdade. Mas discordo da postura de não fazer nada se for para fazer pouco. Me perdoem, mas a solidariedade nos exige: faça o bem sem saber a quem. Sem saber o destino ou uso da sua doação. E solidariedade se faz com o concreto e com o abstrato, com as mãos e com o olhar.

Acredito que um sorriso muda tudo. Experimento isso dia a dia. Como corro nas ruas pela manhã, passei a conhecer muitos idosos e pessoas na minha vizinhança. No começo, mal me olhavam. Queria muito receber um bom dia e ele não chegava nunca. Então, passei a cumprimentar a todos. Alguns não respondiam. Hoje, praticamente, me sinto um político dando tanto acenos – mas, não aquele citado acima. Trata-se apenas de uma licença para a  comparação. A reciprocidade é total. O bem doado é o bem recebido.  O simples bom dia de cada me dá uma injeção de ânimo todos os dias. Assim como o sorriso do cobrador, uma atenção dispensada por qualquer atendente.

Por isso, mas um fato me chamou grande atenção na última semana. Desta vez, pelo contraditório. O dono de uma banca de revistas, em São Paulo, afixou um cartaz cobrando de qualquer cidadão R$ 8,00 por uma informação – da mais simples como, por exemplo, se o número da rua cresce à esquerda ou  à direita? Uma referência de local ou coisa do gênero. Enfim – nada que custa nada, mas que significa muito pra quem recebe. Afirmou estar cansado de se tornar um balcão de informações e que isto é dever da Prefeitura. Mesmo tendo as informações, disse que sonegava o dado a todos aqueles que não pagassem. O pior, contou, que a informação teve reajuste de preço, pois custava antes da publicação da matéria  R$ 2 ou 3,00 – a memória falha.

Vejo isso como um verdadeiro crime; e não é que o castigo vem a galope – ou de avião. Ele comentou que ninguém nunca se dispôs a pagá-lo.

Eu me questiono: existe melhor sensação do que ajudar alguém com uma palavra ou informação? É impossível quantificar isso? Imagine você numa cidade estranha e só receber cara feia e silêncio ao buscar informações?Pra muita gente até pra ser solidário é preciso pagar. O mundo não pode se pautar pelo monetário, pelo mau humor. Que os bons exemplos da semana nos orientem e nos inspirem!

 

Denise, a transbordante

Sobre Denise, a transbordante

Transbordo em choros e risos, raiva e paciência, novidades e mesmices. Por pouco posso me indignar, como também explode em mim alegrias inesperadas por quase nada. Sou soma – de mim, dos outros, do mundo, do meu tempo. Às vezes, divisão; mas busco a multiplicação daquilo que acredito para que a essência não seja subtraída. Quero transbordar neste espaço com vocês, às quintas. Sou jornalista.

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