A segunda maternidade

A segunda maternidade 1

Hoje eu fiquei pensando nos meus netinhos. Quando o Christopher, meu primeiro neto nasceu, meu esposo estava no hospital passando por uma séria cirurgia e eu não estava em condições emocionais para curti-lo como deveria.

Mas quando o David nasceu em 25 de setembro, eu fui a primeira pessoa que o pegou no colo. E quando eu segurei aquela coisinha no colo foi como segurar meu filho recém-nascido de novo, meu coração transbordou de tanto carinho e emoção.

Ser avó é uma experiência maravilhosa, é uma oportunidade de ser mãe novamente, mas com mais oportunidade de curtir as crianças. Uma época em que estamos mais maduras e com outro olhar para a vida, para nós mesmas. Então sua vida é invadida por esses serezinhos maravilhosos.

Rachel de Queiroz tem um texto lindo que se chama “ A Arte de Ser Avó”, que transcrevo alguns trechos abaixo.

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo…

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis – nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de amá-lo com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: “Vó!”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

Esse texto traduz tudo que sinto nesta nova fase da minha vida, onde sou a vovó.

Acir Montanhaur

Sobre Acir Montanhaur

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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