A gente dormia de mãos dadas

A gente dormia de mãos dadas 1

Esta semana a esposa de um conhecido nosso faleceu de um infarto fulminante. Quando eu expressava meus sentimentos, ele me disse: – Eu não sei o que vou fazer agora, a gente era muito unido, a gente dormia de mãos dadas.

Fiquei pensando no amor que unia aquele casal e o sentimento de vazio e de estar perdido sem o outro. Pensei nesse poderoso sentimento que perpassa o tempo, as dificuldades, as situações de impossibilidade e mesmo não consumado, fica na memória para sempre.

Quando minha avó estava com um câncer terminal, contou-me sobre seu grande amor de adolescência. Uma história que aconteceu há sessenta anos e estava fresco em sua memória como se fosse ontem.

Meu pai foi o grande amor de minha mamãe e quando houve a separação, quarenta anos depois, isso a destruiu. Os mais quinze anos que ela viveu foram de tristeza e desalento. Ela me ensinou que tem coisas que não se superam, apenas aguentamos.

Lembrei-me de grandes amores da história, o que mais me enternece é a história de amor  de Taj Mahal na Índia. No site http://obviousmag.org conta essa linda história de amor. Como todas as histórias, esta também começa da mesma maneira… Era uma vez um príncipe chamado Kurram que se enamorou por uma princesa aos 15 anos de idade. Reza a história que se cruzaram acidentalmente mas seus destinos ficaram unidos para todo o sempre. Após uma espera de 5 anos, durante os quais não se puderam ver uma única vez, a cerimônia do casamento teve lugar do ano de 1612, na qual o imperador a rebatizou de Mumtaz Mahal ou “A eleita do palácio”. O Príncipe, foi coroado em 1628 com o nome Shah Jahan, “O Rei do mundo” e governou em paz.

Quis o destino que Mumtaz não fosse rainha por muito tempo. Ao dar à luz o 14º filho de Shah Jahan, morreu aos aos 39 anos em 1631. O Imperador ficou tremendamente desgostoso e inconsolável e, segundo crônicas posteriores, toda a corte chorou a morte da rainha durante 2 anos. Durante esse período, não houve musica, festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino.

Shah Jahan ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, para que o mundo jamais pudesse esquecer. Não se sabe ao certo quem foi o arquiteto, mas reuniram-se em Agra as maiores riquezas do mundo. O mármore fino e branco das pedreiras locais, Jade e cristal da China, Turquesa do Tibet, Lapis Lazulis do Afeganistão, Ágatas do Yemen, Safiras do Ceilão, Ametistas da Pérsia, Corais da Arábia Saudita, Quartzo dos Himalaias, Ambar do Oceano Índico.

Surge assim o Taj Mahal. O seu nome é uma variação curta de Mumtaz Mahal… o nome da mulher cuja a memória preserva. O nome “Taj”, é de origem Persa, que significa Coroa. “Mahal” é arábico e significa lugar. Por dentro, o mausoléu é também impressionante e deslumbrante. Na penumbra, a câmara mortuária está rodeada por finas paredes de mármore incrustado com pedras preciosas que forma uma cortina de milhares de cores. A sonoridade do interior, amplo e elevado é triste e misterioso, como um eco que soa e ressoa sem nunca se deter.

Posteriormente, o imperador foi sepultado ao lado da sua esposa, sendo esta a única quebra na perfeita simetria de todo o complexo do Taj Mahal.

Após quase quatro séculos, milhões de visitantes continuam a reter a sua aura romântica… o Taj Mahal, será para todo o sempre um lágrima solitária no tempo.

Quantas histórias de amor aconteceram e acontecem no mundo, amores eternos, que transformam que constroem. Sempre vão existir amores que dormem de mãos dadas.

Acir, a viajante

Sobre Acir, a viajante

Faço do mundo a minha morada, conhecendo lugares nunca vistos. Conheço a mim mesma me vendo em outros rostos, em outras culturas. O meu encontro e encanto com outros mundos é o encontro e encanto com uma parte adormecida e inexplorada em mim, que anseia pelo desconhecido.

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