Conheça uma pessoa diferente

Conheça uma pessoa diferente 1Quer coisa melhor do que conhecer alguém diferente com um interesse em comum? Conversar, trocar ideias e aprender com alguém de outra parte do mundo?

Vim para a China participar de um programa do governo chinês chamado “Jovens Sinologistas”. São 20 dias de aulas (muitas, muitas aulas), passeios e viagens. Foram convidados 30 participantes (nem todos jovens…) de diversas partes do mundo: Coreia, Japão, Tailândia, Austrália, África do Sul, Nigéria, Egito, Índia, Turquia, Bulgária, Bielorrússia, Itália, Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Canadá, Estados Unidos e por aí vai… Só eu do Brasil. Está sendo uma experiência incrível. Além das aulas e das conversas com professores das melhores universidades da China, a convivência com pessoas do mundo inteiro com um interesse em comum – China – está sendo fantástica.

Já no primeiro almoço de boas-vindas, entendi bem o sacrifício de fazer jejum durante o Ramadã, os quarenta dias em que muçulmanos não comem nada (e nem bebem água) do nascer ao pôr do Sol. O colega da Nigéria, muçulmano, sentou ao meu lado e não comeu absolutamente nada. Ele me explicou que um dos objetivos do jejum durante o Ramadã é para que pessoas comuns possam entender o que os pobres passam muitos dias: fome. Além disso, serve para que os fiéis entendam o real sentido de fazer esforço e se privar do que querem e/ou precisam.

Pude ver a dor nos olhos da francesa, famosa tradutora em seu país, vendo pela primeira vez notícias sobre o atentado terrorista em Nice. Fiquei admirada ao conversar com o belga de menos de 30 anos responsável por uma organização que cuida das relações entre a União Europeia e a China. Fiz amizade com uma moça bielorrussa, professora de cultura chinesa na principal universidade em seu país, que adora o Brasil e fala um pouquinho de português (além de seis outras línguas!). Eu me diverti com o italiano, renomado crítico de arte asiática, com mais de 2 metros de altura que não tinha noção do seu tamanho e esbarrava em tudo e todos. Conversei muito com a búlgara, também professora universitária, sobre diferenças culturais e sobre o casamento dela com um alemão. Discuti de levinho com os indianos que insistiam que eu deveria sair do elevador antes deles e furar fila por ser mulher. Educação é bom, mas esse machismo disfarçado de cavalheirismo eu dispenso. Fui ao supermercado e andei horas com o moço da África do Sul, que acabou de terminar doutorado em sociologia chinesa (como eu!), e fiquei conversando sobre a vida. Fiz um acordo de só conversar em chinês com o nigeriano, apesar de inglês ser mais fácil para nós dois. Aprendi bastante com a holandesa, famosa escritora de cultura chinesa. Tirei centenas de fotos com a moça do Egito e a vietnamita, ambas professoras universitárias (e feministas, apesar de viverem em um país opressor como o nosso), que queriam registrar cada instante.

Conhecer gente do mundo inteiro que é referência em estudo da China mostrou que eu estou no caminho certo e que há muita gente interessante que compartilha meu amor por este país. 我爱中国!Conheça alguém diferente com um interesse em comum. Assunto não vai faltar!  

Lúcia, a exploradora

Sobre Lúcia, a exploradora

Estou sempre disposta a enfrentar os desafios que a vida ousa colocar em meu caminho. Uma feminista a explorar novos olhares, novos contornos. Escritora, tradutora, amante das letras e dos livros. Adoro conhecer o mundo, mas principalmente, as pessoas e suas mais incríveis histórias. Eu, exploradora de mim.

Ver tudo

Comente este post!

O seu endereço de e-mail não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados (*)

Comentário *