Uma vida de lutas e conquistas

É uma grande vitória estar escrevendo nesse blog hoje e por isso vou falar um pouco de mim.

Quando eu tinha seis anos morava no sítio e a vida não era nada fácil pois eu andava oito quilômetros para ir e voltar da escola. A vida era precária, eu levava marmita porque não tinha um centavo para comprar um lanche ou um doce, que é o sonho de toda criança, talvez seja isso o motivo de eu gostar tanto de doce hoje.

O meu pai até tinha dinheiro, mas gastava tudo com coisas banais. Eu chegava da escola e ia trabalhar na roça. Nas férias eu levantava às 4 horas da manhã para limpar o chiqueiro do porco, tenho frieiras até hoje por consequência disso. Até aí tudo bem, mas o fato é que não tínhamos nem pão no café da manhã. Leite então eu nem conhecia, tomava café, comia batata doce assada e depois andava mais cinco quilômetros para trabalhar na roça, capinar, roçar, arar etc.

Eu não agüentava com o arado pois era pesado demais para o meu tamanho. Comíamos marmita gelada. Era obrigada a trabalhar, chegava em casa e ainda tinha que fazer comida, carregar água numa lata de 20 litros em uma ladeira enorme e se o caldo do feijão estivesse fino, era jogado na cara da gente. Apanhávamos sem motivo, por qualquer coisa e com qualquer objeto. Uma vez minha mãe apanhou e fui eu que a socorri. Fui jogada longe, bati a cabeça num pé de cedro e desmaiei.Fique horas lá, nunca tive uma boneca, apanhei por não aprender a tabuada e fique de castigo ajoelhada nos grãos de milho, e por tudo isso tenho pouca recordação boa da infância, na verdade, tive uma péssima infância.

Mas, com tudo isso, não quero que fiquem com pena de mim. Já até perdoei meu pai.Claro que só fiz isso depois que tive meu filho, ou seja, aos 35 anos.

Desde os seis anos tenho vontade de ser jornalista, eu fingia que era repórter brincando. Lutei para fazer faculdade de jornalismo, mas não consegui devido à falta de dinheiro, naquela época, em 1987, não havia esses benefícios do governo.

Em 2006 tive a oportunidade de fazer faculdade de Pedagogia, pois comecei a trabalhar com criança em 2004, esta que é uma experiência maravilhosa (futuramente relatarei isso aqui).

Sendo educadora, posso dar as crianças todo carinho e atenção que não tive quando pequena. Nunca desisti dos meus sonhos. Talvez a única coisa boa que ficou da infância foi à vontade de lutar e de persistir.

Hoje com 42 anos estou fazendo uma Pós em Gestão e Produção em Jornalismo, conheço essas pessoas maravilhosas que compartilham comigo essas matérias. Posso dizer que nunca estive tão feliz. Sou feliz com minha família (esposo e filho), sou feliz sendo professora de criança de três anos em uma creche em Sorocaba, e sou mais feliz ainda por estar fazendo essa Pós porque aprendo cada dia mais. Decepciono-me comigo mesma algumas vezes que não entendo alguns termos jornalísticos e alguns trabalhos, mas também me surpreendo quando consigo finalizá-los.

Vou exercer a profissão de Jornalista? Isso só a Deus pertence, mas de uma coisa tenho certeza: está sendo maravilhosa essa experiência, esse aprendizado, sei que estou conquistando e ganhando muito com tudo isso, e o melhor, estou realizando meu grande sonho.

Por isso posso afirmar que ninguém se torna bandido ou mau caráter devido à criação difícil. Todos têm oportunidades, bastam usar e não ficar de braços cruzados esperando cair do céu, que nunca é tarde para estudar, amar e ser feliz. Devemos sempre perdoar, pois alguns estudos já provaram que mágoa dá câncer.

Concluindo tudo isso e depois de pesquisar sobre a infância do meu pai e de ler sobre perdão, descobri que a pessoa só pode dar o que tem e ensinar o que aprendeu, porém meu pai não sabia dar amor e carinho, ele não aprendeu isso e nessa vida devemos tentar aprender e compartilhar, principalmente as coisas boas.

Meninas, obrigada por tudo isso. Deus muito obrigado!

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